
Em um passado qualquer, cenas de um roteiro de ficção científica.
Personagens: Laura e Fernando .
LUZES , CÂMERA , AÇÃO !
1.Ato
Fernando
Na aurora do meu presente , descobri a decência das lágrimas que se perdem no horizonte do rio que nada se vê . E nessas descobertas, descobri a mim mesmo , um homem que procurava solidão na companhia ALHEIA , até o momento que encontrei , Laura , e descobri o que é a verdadeira solidão . O vazio profundo das palavras que se somam .
1.Cena
Laura :
- Boa noite , Fernando .
Fernando:
- Oi
Laura:
- O que fez hoje , Fernando ?
Fernando:
- Li esse livro que sua minhas mãos , e você ?
Laura:
- Transei com Ricardo.
Fernando:
- Foi bom ?
Laura:
- Tão bom quanto o cantar da noite , violento e sem gosto. Senti minha pele descascar enquanto fazíamos amor. Amor ? Fizemos algo que deveria ser amor. Mas era apenas vazio. O cantar da noite morta . Não há amor como o nosso , antes de desmoronar .
Fernando:
- Nosso amor não desmoronou , Laura , ele apenas nunca existiu de fato , nunca se concretizou , não houve proposta para ele .
Laura:
- Existiu.
Fernando:
- Não existiu , Laura.
Laura:
- Existiu , sim .
Fernando:
- Não , não existiu , Laura .
2.Cena
Laura , depõe
Ele e eu nunca mais fomos os mesmos depois de um dia . Nosso amor se diluiu sobraram apenas os fragmentos amargos que descem pela garganta e hesitam em deslizar . Fragmentos que incomodam , mas sem deixar cicatrizes. A única cicatriz é o amor perdido. Nunca deveríamos ter feitos coisas nos dias cinzentos. Fernando , não captou minhas mensagens , mas seria capaz sendo o que era ? Não compreendeu na voz que risquei de tanto tocar do cantor que cantava sobre o pássaro fêmeo que voa na necessidade de captação.No dia que o conheci pessoalmente , no inferno , ao embarcar me deu um bilhete para ser lido no pássaro metálico , o que escreveu : “O que eu mais aprecio na experimentação é ser uma coisa tão honesta . Você poderá errar uma porção de vezes antes que apareçam os sinais de aviso . Poderá enganar-se a si próprio , mas a experiência não estará tentando iludi-lo.”
Pobre Fernando .
3.Cena
Fernando , depõe
Certo dia , em uma estação , vi um senhor , devia ter uns oitenta anos , ele tinha cabelos brancos como papel , olhos azuis . Ele bebia um refresco. Estava recostado em uma murada. Os dedos dos pés se remexiam nas sandálias. Quando o trem chegou , ele não entrou . Continuou lá , recostado na murada. Através do vidro , olhei seus olhos , ele parecia estar se esforçando para lembrar de algo . Eu acho que se esforçava para lembrar seus sonhos .
4.Cena
Outro dia :
Na cama , o EU agoniza . Segura a mão de Fernando . Laura está encostada na parede e olha para a janela , para o mundo . EU segura a mão de Fernando .
EU (agonizando)
- Continue meu trabalho e vingue minha morte , Fernando ! .
CAI MORTO.
5.Cena
A marcha funerária . Fernando observa o caixão com o corpo do EU . Laura ao seu lado.
Fernando:
- EU morreu de um engasgo de seu vômito . Como vingarei sua morte ? Ele era um Vagabundo. Como continuarei seu trabalho ? Não mais me pertence . Oh Vida !!!!
Fernando se vira para Laura .
Laura:
- Quem não enterra seus mortos , vive com eles .
Fernando:
- A vida é cruel com os mortos: ela continua .
Laura:
- O ruim da morte ALHEIA é que a vida continua .
Pausa Dramática
Laura:
- Quer transar ?
Fredson:
- Não . Quero jogar xadrez.
6.Cena
Na praia,Fernando e Laura sentam a uma mesa de madeira , com um tabuleiro sobre . Laura mexe uma peça branca.
Laura:
- O mundo é um lugar muito , muito frio . Principalmente no inverno .
Fernando:
- Não , o mundo é o que você faz dele . E é um lugar muito mais interessante quando visto pelo buraco da fechadura .
Laura e Fernando olham para o mar , as ondas . Fernando vira para o tabuleiro . Faz cair o rei preto.
FIM